Vasco domina o primeiro jogo da semi

Copa Elio Campos – Estadual do Rio de Janeiro (Categorias de Base)


Vasco impõe ritmo em Xerém e sai na frente na briga por uma vaga na final

Lucas Frota Vasco Base

Em uma atuação segura e ofensivamente inspirada, o Vasco da Gama fez valer sua organização tática diante do Fluminense e surpreendeu o rival dentro de Xerém, um dos redutos mais respeitados do futebol de base carioca. Durante boa parte da partida, o time cruzmaltino impôs o ritmo do jogo, obrigou os tricolores a recuarem as linhas e criou as chances mais claras de gol.

Mesmo sem conseguir transformar o domínio em vantagem no placar, o Vasco extraiu um resultado de peso: o empate sem gols. Como o confronto é disputado em ida e volta, o 0 a 0 fora de casa garante ao time da Colina a vantagem de decidir a vaga na final em seus próprios domínios, com o apoio da torcida e o conforto de jogar pelo empate — ou, se depender da postura mostrada em Xerém, novamente em busca da vitória.

A defesa organizada, a marcação por setores e a paciência com a bola nos pés foram os pontos altos de uma exibição que deixou a comissão técnica satisfeita, mesmo diante da frustração natural por não ter transformado o volume de jogo em gols.


Lucas é relacionado e passa a ser opção versátil no banco

Para o duelo em Xerém, o zagueiro Lucas foi relacionado pela comissão técnica e permaneceu como opção no banco de reservas, podendo atuar tanto na zaga central — sua posição de origem — quanto na lateral-esquerda, função que vem treinando como recurso tático adicional.

Essa versatilidade tem se tornado um diferencial na avaliação da comissão técnica: mais do que uma peça fixa em uma posição, Lucas se consolida como uma solução múltipla para o sistema defensivo, algo especialmente valioso em uma fase da temporada marcada por jogos decisivos e necessidade de ajustes durante as partidas.


Curiosidade: quem foi o Almirante Heleno, que dá nome ao CT da base vascaína

O centro de treinamento onde as categorias de base do Vasco se preparam — palco de parte da preparação para o confronto contra o Fluminense — leva o nome de um personagem histórico e controverso: o Centro de Treinamento Almirante Heleno de Barros Nunes, também conhecido como CT de Caxias, localizado às margens da Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias.

Lucas Frota Reuniao interna

O nome é uma homenagem ao Almirante Heleno de Barros Nunes, torcedor do clube e ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) entre 1975 e 1980, além de um dos responsáveis pela doação do terreno ao Vasco em 1976. Nascido em 1917, o militar chegou à presidência da CBD e, posteriormente, da própria CBF, período em que o Brasil vivia sob a Ditadura Militar e era comum a interferência de autoridades do governo no esporte — episódios que incluem, segundo relatos da época, intervenções em escalações da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 1978.

A doação do terreno, no entanto, não foi isenta de percalços: por trinta anos o clube travou uma disputa judicial com a União, chegando a perder a concessão em 1995, até recuperar o direito de uso por decreto presidencial após decisão da Justiça. Hoje, o espaço é dedicado integralmente às categorias de base do clube e ao futebol feminino — exatamente o terreno onde nomes como o de Lucas seguem sua trajetória rumo ao profissional.


Uma curiosidade mais antiga do clássico Vasco x Fluminense

Poucos torcedores se recordam, mas o primeiro confronto oficial da história entre Vasco e Fluminense já trazia os ingredientes que marcariam décadas de rivalidade. Em 11 de março de 1923, o Vasco recebeu o Fluminense — então oito vezes campeão carioca — no campo da Rua Figueira de Melo, no bairro de São Cristóvão, antes mesmo da construção de São Januário.

O time cruzmaltino saiu perdendo por 2 a 0, com gols de Welfare, mas ainda no primeiro tempo Negrito descontou, iniciando a reação que consagraria o Vasco como o “time da virada”. A vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense fazia parte de uma campanha histórica: naquele mesmo ano, o Vasco se tornaria o primeiro campeão carioca com um time formado majoritariamente por operários, artesãos e jogadores negros — algo mal visto pela sociedade elitista e racista do início do século XX.

A resposta da elite do futebol carioca veio em 1924, quando a recém-criada Associação Metropolitana de Esportes Athleticos exigiu que o Vasco excluísse de seus quadros os doze atletas negros, operários e analfabetos para poder participar do campeonato. O clube recusou, no episódio que ficou conhecido como a “Resposta Histórica” — um dos marcos mais importantes da luta contra o racismo no esporte brasileiro, e que ajuda a explicar por que o duelo entre Vasco e Fluminense carrega, até hoje, um peso que vai além do resultado dentro de campo.


Acompanhe de perto a trajetória de Lucas

Para quem quer acompanhar de perto os lances e os bastidores da temporada:

Lucas Frota, vasco base